segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

U2 BONO VOX & HEITOR


U2 BONO VOX


FOTOS DE ARTES EM BRASILHA ANO 200 7


FOTOS DE ARTES EM BRASILHA ANO 200 7


GARI FEMININO VARRENDO A RUA NA PRAÇA RAU SOARES BH MG BRASIL


GARI FEMININO VARRENDO A RUA NA PRAÇA RAU SOARES BH MG BRASIL


2 GARI FEMININO VARRENDO A RUA NA PRAÇA RAU SOARES BH MG BRASIL


GARI FEMININO VARRENDO A RUA NA PRAÇA RAU SOARES BH MG BRASIL


FOTOS NO METRO DE PESSOAS DORMINDO FOTOGRAFO : HEITOR

FOTOS NO METRO DE PESSOAS DORMINDO.
FOTOGRAFO : HEITOR

FOTOS NO METRO DE PESSOAS DORMINDO FOTOGRAFO : HEITOR

FOTOS NO METRO DE PESSOAS DORMINDO.
FOTOGRAFO : HEITOR

FOTOS NO METRO DE PESSOAS DORMINDO FOTOGRAFO : HEITOR

FOTOS NO METRO DE PESSOAS DORMINDO.
FOTOGRAFO HEITOR

FOTOS NO METRO DE PESSOAS DORMINDO FOTOGRAFO : HEITOR

FOTOS NO METRO DE PESSOAS DORMINDO.

FOTOGRAFO : HEITOR

FOTOS NO METRO DE PESSOAS DORMINDO FOTOGRAFO : HEITOR

FOTOS NO METRO DE PESSOAS DORMINDO :
FOTOGRAFO : HEITOR

FOTOS NO METRO DE PESSOAS DORMINDO FOTOGRAFO : HEITOR

FOTOS NO METRO DE PESSOAS DORMINDO .
FOTOGRAFO : HEITOR

FOTOS NO METRO DE PESSOAS DORMINDO FOTOGRAFO : HEITOR 2°

FOTOS NO METRO DE PESSOAS DORMINDO .
FOTOGRAFO : HEITOR 2 °

FOTOS NO METRO DE PESSOAS DORMINDO FOTOGRAFO : HEITOR

FOTOS NO METRO DE PESSOAS DORMINDO
FOTOGRAFO : HEITOR BH MG BRSIL

EU DE NOVO HEITOR

EU DE NOVO HEITOR

HEITOR

HEITOR

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Peça Teatral Superando Obstáculo Parte 4.

FILMADO POR : HEITOR SILVA DE OLIVEIRA .

Peça Teatral Superando Obstáculo Parte 4.

Peça Teatral Superando Obstáculo Parte 3

FILMADO POR : HEITOR SILVA DE OLIVEIRA .

Peça Teatral Superando Obstáculo Parte 3

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Peça teatral Superando Obstáculo parte 1.

Peça teatral Superando Obstáculo parte 1.

Peça Teatral Superando Obstáculo parte 2.

Peça Teatral Superando Obstáculo parte 2.

sábado, 18 de julho de 2009

joyce










Nora





JAMES JOYCE,
APAIXONADO E FETICHISTA
Lord Conrad
 
Uma pequena edição de apenas 500 exemplares, publicada em São Paulo, no ano de 1982, pelos editores Massao Ohno e Roswitha Kempf, trouxe ao público de língua portuguesa as cartas de James Joyce - o genial autor de Ulisses - para sua esposa, Nora Barnacle. A pequena coletânea - o volume não alcança nem as cem páginas - é apenas parte da epistolografia de Joyce, que ocupa três volumes, editados pelo seu biógrafo, Richard Ellmann, mas revela, além do seu amor absoluto por Nora, a sexualidade pujante, muitas vezes desbragadamente enfurecida e plena de fetichismos desse incrível irlandês.
"É estranho ver de que mares de lama os anjos fazem surgir um espírito de beleza", afirma Joyce, ao comentar uma canção para alaúde, escrita pelo devasso rei da Inglaterra, Henrique VIII. Para nós, ao contrário, não há nada de estranho em perceber, através de suas cartas, como a beleza e a devassidão podem caminhar juntas, produzindo frutos que, preservados para a posteridade, não só revelam a fácies de um brilhante escritor, como também o que de mais íntimo ele desfrutou ao lado da companheira de toda a sua vida.
"Não fui eu quem primeiro te bolinou há muito tempo em Ringsend", escreve ele, ao recordar os primeiros dias de namoro. "Foste tu que enfiaste a mão lá embaixo dentro de minhas calças e empurraste de leve minha camisa e seguraste minha pica com teus dedos compridos e comichentos e foste aos poucos agarrando-a toda, dura e gorda como estava, com tua mão e me bateste punheta devagar até que eu gozasse entre teus dedos, debruçada sobre mim todo o tempo e fitando-me com teus olhos tranqüilos que parecem de santa."
Assim era Nora, tão voluptuosa quanto Joyce, "de espírito simples, excitável, de voz grave, sonolenta e impaciente", a quem ele chamava, nos momentos de carinho, de "minha adorada menininha de convento" ou "minha colegial travessa de olhar lânguido" e, nas cartas mais sensuais, "minha amantezinha punheteira, minha putinha fodedora", referindo-se ao seu corpo como "musical e estranho e perfumado". Mas Nora será sempre, antes de tudo, a "minha flor azul-marinho encharcada de chuva", uma das imagens mais recorrentes na coletânea. "A alma dela! O nome dela! Seus olhos! Eles são para mim como estranhas e belas flores selvagens azuis que crescem em alguma sebe emaranhada e encharcada de chuva", escreve ele num momento de raro lirismo. E, anos depois, durante meses separados por centenas de quilômetros, entre Dublin e Trieste, recordando os anos passados juntos, ele escreveria: "Ó, não foi o desejo carnal, caríssima, não foi a loucura desenfreada e brutal de que te escrevi nestes últimos dias e noites, não a cobiça selvagem e bestial de teu corpo, caríssima, o que me atraiu em ti então e que me prende a ti agora. Não, caríssima, não é isto absolutamente e sim o amor mais terno, cheio de piedade e adoração por tua mocidade e criancice e fraqueza. Ai, a dor gostosa que puseste no meu coração! Ai, o mistério de que tua voz me fala!" Uma paixão sem freios, admiravelmente sintetizada numa arrebatadora sentença que, ao colocar, lado a lado, os extremos da consciência do artista, pretende, através da devoção à mulher amada, expurgar os fantasmas do seu passado: "Como detesto Deus e a morte! Como adoro Nora!"
De fato, a vida de Joyce esteve indelevelmente marcada por Deus e pela morte, graças a experiências vividas na infância e na juventude, que ele relata, com rancor, em uma de suas primeiras cartas: "Meu espírito rejeita toda a ordem social presente e o cristianismo - o lar, as virtudes reconhecidas, categorias sociais e doutrinas religiosas. Meu lar era simplesmente um negócio de classe média arruinado por hábitos perdulários que eu herdei. Minha mãe, creio, foi morta aos poucos pelo mau trato de meu pai, por anos de tribulação e pela franqueza cínica de minha conduta. Ao olhar para o rosto dela quando posta no caixão - rosto cinzento devastado pelo câncer - tive consciência de estar olhando para o rosto de uma vítima e amaldiçoei o regime que fizera dela uma vítima." E, logo a seguir, referindo-se ao catolicismo: "Há seis anos deixei a Igreja Católica, tendo por ela o ódio mais fervoroso. Foi-me impossível ficar dentro dela devido aos impulsos de meu gênio. Quando estudante declarei-lhe uma guerra secreta e recusei-me a aceitar as posições que ela me ofereceu."
Ele sublimaria tais sentimentos através da literatura, mas o ódio à Igreja Católica também ganha contornos jocosos em suas cartas, por exemplo, ao referir-se a si mesmo como "teu Irmão-Cristão-em-Luxúria" ou ao sentenciar, sem admitir réplicas: "Em virtude dos poderes apostólicos de que estou investido por Sua Santidade o Papa Pio Décimo dou-lhe por meio desta a permissão para vir sem saia, receber a bênção Papal que terei o prazer de lhe dar."
Esse homem permanentemente intranqüilo carregava em si uma sensualidade que certamente não é incomum, mas à qual ele concedeu, traduzindo-a em palavras, o signo da imortalidade. Ele se utiliza de comparações inusitadas: "...mas ficaria muito mais feliz ainda se me desses um daqueles beijos chupados que gostas tanto de me dar. Fazem-me lembrar canários cantando." Revela uma imaginação infatigável e um indisfarçável romantismo: "Vejo-te em centenas de poses, grotesca, vergonhosa, virginal, langorosa. Entrega-te a mim, caríssima, todinha, quando nos encontrarmos. Tudo que é sagrado, oculto aos outros, tens de me dar sem reservas. Quero ser o senhor de teu corpo e alma." Por vezes, parece enlouquecer num frenesi de saudade: "Meu bem, meu bem, hoje sinto um desejo tão louco de teu corpo que se estivesses aqui ao meu lado e mesmo que me contasses com tua boca que metade dos cafajestes de cabelo vermelho do condado de Galway tinham fodido contigo antes de mim eu ainda me atiraria em ti com ardor." Enquanto escreve, muitas vezes masturba-se: "Meu bem, neste instante eu ejaculei nas minhas calças de modo que estou inteiramente fora de combate." E angustia-se, moralmente dividido, revelando a influência negativa do cristianismo, da qual ele nunca conseguirá, totalmente, se livrar: "Eu me pergunto se haverá alguma loucura em mim. Ou será amor, loucura? Num momento eu te vejo como uma virgem ou madona e no momento seguinte te vejo despudorada, insolente, seminua e obscena!"
 
Lingeries
 
O Joyce fetichista emerge em quase todas as cartas. Ele detesta os corpetes: "É favor deixar de lado aquela couraça, pois não gosto de abraçar uma caixa de correio." E reitera, dias depois: "Não deixes de dar a Miss Murphy aquele corpete de carabineiro - e creio que podias também dar-lhe de presente todo o uniforme de carabineiro. Por que usas essas coisas malditas?" Contudo, revela um cuidado especial com certos detalhes: "Tua luva passou toda a noite ao meu lado - desabotoada - mas quanto ao mais comportou-se muito bem." Lembrando a Nora, na mesma carta: "Espero que ponhas minha carta na cama como convém."
O mesmo cuidado ganha dimensões inusitadas quando se trata das lingeries: "Dizes que queres que minha irmã te leve daqui umas roupas de baixo. Por favor, não faças isso, querida. Eu não gosto que ninguém, nem mesmo uma mulher ou uma moça, veja as coisas que te pertencem. Eu gostaria que fosses mais cuidadosa em não deixar certas roupas tuas por aí, quer dizer, quando voltam da lavadeira. Ó, eu queria que mantivesses todas essas coisas secretas, secretas, secretas. Queria que tivesses grande quantidade de roupas de baixo de toda sorte, de todos os matizes delicados, guardadas num enorme armário perfumado." Há, mesmo, um exaspero na profusão de detalhes e na forma repetitiva com que ele os descreve: "Gostaria que usasses calças com três ou quatro babados por cima do outro nos joelhos e nos quadris e grandes laços vermelhos neles, quer dizer, não calças de estudante com uma beirada de renda pobre e escassa, apertada nas pernas e tão fina que a carne aparece entre elas, mas calças de mulher ou (se preferes a palavra) de senhora, de fundo solto cheio e pernas largas, todas de babados e rendas e fitas e carregadas de perfume, de modo que quando quer que as mostres, seja ao levantar depressa a roupa para fazer uma coisa ou ao te agachares lindamente para seres cravejada, eu só veja um amontoado crescente de fazenda branca e babados e de modo que quando eu me debruço por cima de ti para abri-las e te dar um beijo ardente e sensual na tua travessa bunda nua eu cheire o perfume de tuas calças juntamente com a emanação quente de tua cona e o odor pesado de teu traseiro." E há uma constante jovialidade, uma alegria ímpar em todos os seus freqüentes pedidos: "Compra calças para putas, meu amor, e não te esqueças de derramar um bom perfume nas pernas delas e também desbotá-las um pouquinho atrás."
 
Um menino mau
 
As expressões do amor de Joyce por Nora estão vincadas de figuras edipianas, que nos permitem perceber, além da crescente dependência do artista por sua mulher, o quão multifacetada pode ser uma relação na qual os preconceitos não encontram espaço.
Ele anseia, muitas vezes, por voltar ao útero materno: "Em breve meu corpo vai penetrar no teu, oxalá que minha alma o pudesse também! Oxalá que eu pudesse aninhar-me no teu útero como uma criança nascida de tua carne e teu sangue, ser alimentado com teu sangue, dormir na quente penumbra secreta de teu corpo!"
E, como um filho travesso, deve ser castigado: "Se esta sujeira que escrevi te ofende faz-me novamente voltar à razão com o chicote como já fizeste antes. Deus me acuda!"
Sim, há também um James Joyce masoquista, igualmente inebriante ao expressar seus desejos de submissão e maus-tratos: "Sou teu filho, como te disse, e deves ser severa comigo, minha mãezinha. Castiga-me tanto quanto queiras. Eu ficaria encantado de sentir minha carne debaixo de tua mão. Sabes o que quero dizer, Nora querida? Quero que me dês pancadas ou mesmo que me açoites. Não de brincadeira, querida, de verdade e na minha pele nua. Eu queria que fosses forte, forte, querida, e tivesses seios grandes, cheios e empinados e coxas grandes e gordas. Eu adoraria ser chicoteado por ti, Nora, amor! Gostaria de ter feito qualquer coisa que te desagradasse, mesmo qualquer coisa de trivial, talvez um de meus hábitos um tanto sujos que te fazem rir; e então ouvir-te chamar-me para dentro de teu quarto e então encontrar-te sentada numa poltrona com as coxas gordas bem separadas e a cara vermelha de raiva e uma vara na mão. Ver-te indicar o que eu tinha feito e então com um movimento de ódio puxar-me para perto de ti e atirar-me atravessado no teu colo de rosto para baixo. Então sentir tuas mãos arrancando minhas calças e roupas de baixo e levantando minha camisa, e me debater entre teu colo e teus braços fortes, e te sentir inclinar-te (como uma ama zangada surrando a bunda de uma criança) até que tuas maminhas grandes e cheias quase me tocassem e sentir-te açoitar, açoitar, açoitar furiosamente minha trêmula carne nua!"
 
O corpo, os odores nauseabundos, as fezes
 
As cartas, coletadas no período entre 1904 e 1912, encadeiam-se num jorro de crescente sensualidade. Poucas partes do corpo parecem não excitar Joyce. Pouquíssimas não são citadas. Mas há uma notável preferência pelo sexo anal e por todos os barulhos e odores que brotam do ânus. "Há um lugar que eu gostaria de beijar, sabes, um lugar esquisito, Nora. Não nos lábios, Nora. Sabes onde?", interroga ele numa das primeiras cartas.
Obstina-se pelas regiões mais escondidas da mulher, por seus perfumes e suas secreções: "... no âmago deste amor espiritual que tenho por ti há também um desejo bestial e bruto por todos os pedacinhos de teu corpo, todas as partes secretas e vergonhosas dele, pelos cheiros todos dele e por tudo o que ele faz." Uma insistência que se repete em inúmeras cartas: "Diz-me os menores detalhes a teu respeito contanto que eles sejam obscuros e secretos e porcos." Ou, num tom um pouco mais terno: "As duas partes de teu corpo que fazem coisas sujas são as mais adoráveis para mim."
A mera lembrança dos peidos de Nora exerce sobre ele um poder devastador: "Naquela noite, bem, tua bunda estava cheia de peidos, e com a foda eu os fiz sair, grandes e gordos, prolongados e cheios de vento, estalinhos rápidos e alegres e uma porção de peidinhos pequeninos e travessos que terminavam num jorro demorado por teu buraco. É maravilhoso foder uma mulher peidorreira quando cada metida faz sair um." E mostra-se um exímio definidor, quase criando uma classificação por tipos ou gêneros: "Penso que eu reconheceria um peido de Nora em qualquer lugar. Penso que poderia distinguir o dela numa sala cheia de mulheres peidando. É um barulhinho bem de menina, não como o peido molhado e cheio de vento que imagino ser o das esposas gordas. É inesperado e seco e indecente como o que uma menina atrevida soltaria de pândega num dormitório de colégio à noite. Espero que Nora nunca pare de soltar peidos na minha cara para que eu fique conhecendo também o cheiro deles."
De excitar-se com o barulho e o odor dos peidos de Nora, ele caminha, sutilmente, numa sucessão meticulosa de vontades, para a coprofilia: "Meu amor por ti me leva a orar ao espírito de ternura e de beleza eterna de que teus olhos são o espelho ou a te derrubar debaixo de mim sobre esta tua barriga macia e te foder por trás, como um cerdo cobrindo sua porca, incensado com o próprio fedor e suor que saem de teu ânus, incensado com a vergonha patente de teu vestido levantado e as calças brancas de menina e com a confusão de tuas faces enrubescidas e teu cabelo emaranhado. Isso me faz romper em lágrimas de piedade e amor por qualquer palavrinha, tremer de amor por ti ao som de algum acorde ou cadência musical ou ao deitar-me contigo pé com cabeça sentindo teus dedos a acariciarem e fazerem cócegas no meu saco ou enfiados em mim por trás e teus lábios quentes chupando meu pau enquanto minha cabeça está inserida entre tuas coxas gordas, com as mãos grudadas nos coxins redondos de tua bunda, eu lambo com voracidade tua cona vibrante e vermelha. Ensinei-te a quase desmaiar quando ouves minha voz cantando ou murmurando à tua alma a paixão e a tristeza e o mistério da vida e ao mesmo tempo ensinei-te a fazer trejeitinhos indecentes com a língua e os lábios, a excitar-me por meio de toques e ruídos obscenos, e até a fazer na minha presença o ato mais sujo e vergonhoso do corpo. Lembra-te do dia em que levantaste a roupa e me deixaste ficar deitado por baixo de ti vendo-te fazê-lo? Depois ficaste com vergonha de me olhar nos olhos."
Joyce erotiza as palavras escritas por Nora. Ele vai além da carga semântica dos termos, exigindo que os signos tenham, no papel, um aspecto realçado, marcante... E, por fim, não satisfeito, sugere a mancha real do objeto do seu fetiche, impossível de ser substituído por palavras: "Escreva mais e com mais sacanagem, querida. Esfrega o teu grelo enquanto escreves para te fazer dizer coisas cada vez piores. Escreve as palavras feias em grande, sublinhando-as e beija-as e encosta-as por um instante em tua deliciosa boceta quente, querida, e também levanta o vestido por um instante e coloca-as debaixo de tua cara bundinha peidorrenta. Faz mais se quiseres e então manda-me a carta, minha adorada paloma de cu escuro."
Quase ao fim do volume, a coprofilia explode nas missivas, exalando o calor e a viscosidade das entranhas de Nora: "Fode-me se puderes agachada no toalete, de roupas levantadas, grunhindo como uma porca nova a defecar, e um troço grande grosso sujo serpenteante a descer lentamente de teu traseiro."
Do que se percebe nas cartas, Nora participava ativamente das fantasias de Joyce. Alimentava-as, até. Numa das últimas cartas, ensandecido, ele atinge o paroxismo da libidinagem, encerrando seu texto abruptamente e proclamando, em êxtase, ser incapaz de prosseguir: "Cagar agora te faz ter tesão? Não sei como podes fazê-lo. Gozas no momento de cagar ou te masturbas até gozar primeiro e depois cagas? Deve ser algo de terrivelmente excitante ver uma mulher de roupa arregaçada esfregando furiosamente a boceta, ver suas bonitas calças brancas abertas atrás com a bunda aparecendo e um troço gordo e escuro saindo a meio caminho pelo buraco. Dizes que vais cagar nas calças, querida, e então deixar que eu te foda. Eu gostaria de te ouvir cagá-las, querida, primeiro - e depois foder-te. Uma noite quando estivermos em algum lugar no escuro e falando sacanagem e sentires que tuas fezes estão a ponto de sair passa os braços ao redor de meu pescoço com vergonha e vai cagando devagar. O ruído me enlouquecerá e quando eu puxar teu vestido para cima Não adianta continuar! Podes calcular porque!"
 
O que restou
 
"Tu te tornaste parte de mim - uma carne." Assim, o escritor sintetiza seu amor pela menina pobre, empregada de hotel, que ele conhecera em 10 de junho de 1904. Joyce morreria em 1941 e Nora dez anos depois.
O criador de um novo cosmos literário, cuja obra, ultrapassado o século, permanece como um sistema aberto às mais instigantes indagações, deixou-nos também, semelhante àquelas flores que as mocinhas costumavam guardar no meio dos livros, a lascívia que nasceu inspirada por sua "flor azul-marinho", de quem ele escreveu, certa vez: "Eu já senti a alma dela tremer junto da minha, e já murmurei o nome dela baixinho para a noite, e já chorei ao ver a beleza do mundo passar como um sonho por trás dos olhos dela."
 
 
São Paulo, agosto de 2001.
 
 
 
 
 
 
 
Bibliografia:
 
Joyce, James. Cartas a Nora. Massao Ohno-Roswitha Kempf Editores, São Paulo, SP, 1982.
 
 
 
Para saber mais sobre a vida de James Joyce:
 
Ellmann, Richard. James Joyce. Editora Globo, São Paulo, SP, 1989.
 
 
 
Livros de James Joyce disponíveis em língua portuguesa:
 
Música de Câmara
Editora Iluminuras
 
Finnegans Wake
Ateliê Editorial
 
Ulisses
Editora Civilização Brasileira
 
Dublinenses
Editora Civilização Brasileira
 
Retrato do Artista Quando Jovem
Editora Civilização Brasileira
 
Poemas, um tostão cada
Editora Iluminuras
 
Giacomo Joyce
Editora Iluminuras
 
 
 
James Joyce na Internet:
 
The James Joyce Centre
http://www.jamesjoyce.ie/home/index.asp
 
IQ Infinity the unknown James Joyce
http://www.robotwisdom.com/jaj/#nora
 
James Joyce - Resource Center
http://www.cohums.ohio-state.edu/english/organizations/ijjf/jrc/
 
James Joyce - The Brazen Head
http://www.themodernword.com/joyce/index.html
 
James Joyce - Itinerari Triestini
http://www.univ.trieste.it/~nirdange/netjoyce/




A Desconstrução do Romance Ulisses,de James Joyce, nas traduções brasileiras por
Luiz gonga de alvarenga
 
PARTE 1 .
 
 
 
 
 
 
RESUMO
Este ensaio pretende demonstrar que a obra Ulisses, de James Joyce, ainda está a esperar uma tradução para o português que faça jus ao original. As duas traduções publicadas no Brasil, como se mostrará, possuem equívocos de versão em número suficiente para justificar esta assertiva.
Palavras-chave
romance; traduções; publicações.
1. INTRODUÇÃO
O início do século XX foi marcado pelo aparecimento de uma série de textos que se tornariam clássicos da literatura mundial. Apenas para citar alguns, Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust, e O Processo, de Franz Kafka, são exemplos de obras que transformaram a literatura. Entretanto, uma obra diferente surgiu nesta mesma época, não apenas provocando uma verdadeira revolução no meio literário, como viria a redefinir a própria concepção de "romance".
A concepção deste gênero literário começou a surgir a partir do século XVII, embora a suas origens mais remotas tenham se originado das histórias cavaleirescas, lendas, canções de gesta e novelas que se escreviam nas línguas românicas que estavam a se definir ao longo da Idade Média. Quanto às bases do romance moderno, estas podem ser encontradas nas novelas, cujo tom realista e satírico atingiu o seu auge na obra do italiano Giovanni Boccaccio, Decameron, no século XIV, e nos romances de cavalaria, cujo exemplo maior é Dom Quixote, de 1605, escrita pelo espanhol Miguel de Cervantes. O gênero aumentou sua popularidade, no século XIX, com a publicação de folhetins em jornais. A partir daí, autores como Alexandre Dumas Filho, Charles Dickens, Victor Hugo e Flaubert, entre outros, tornaram-se bastante famosos junto ao um público leitor ávido das novidades literárias.
 
2. UMA REVOLUÇÃO NO ROMANCE
O escritor irlandês James Joyce, ou James Augustine Eloysios Joyce, nasceu no dia 2 de fevereiro de 1882, em Rathgar, subúrbio de Dublin, capital da Irlanda. Suas obras literárias são as seguintes: Chamber Music (Poemas), 1907; Dublinenses (Contos), 1913; O Retrato do Artista Quando Jovem (Romance), 1916; Exiles (Teatro), 1918; Ulisses (Romance), 1922; Pomes Penyeach (Poemas), 1927; Collected Poems (Poemas), 1936; Finnegan's Wake (Romance) 1939; Stephen Hero (Romance) 1944. Joyce morreu em 13 de janeiro de 1941.
A principal obra de James Joyce é o romance Ulisses, uma narrativa contínua que cobre 18 horas de um dia (16 de junho de 19041) na vida do judeu-irlandês Leopold Bloom, na cidade de Dublin. A trama da obra divide-se em três partes, com dezoito episódios de densidade desigual, sendo o enredo calcado sobre a obra Odisséia, de Homero, e suas partes ligam-se às partes desta obra, sendo Bloom o anti-herói, em relação ao herói grego Ulisses. Além de Bloom, são personagens importantes da obra: Stephen Dedalus (que surge inicialmente como personagem na obra anterior de Joyce, Retrato do Artista Quando Jovem), Malachi Mulligan e Marion Bloom, a esposa infiel de Leopold Bloom (em contraposição à esposa fiel de Ulisses). O livro levou sete anos para ser escrito (de 1914 a 1921).
Traduzida para o francês, teve a sua primeira publicação feita na França pela escritora norte-americana Silvia Beach, em 1922, pela Shakespeare and Company. Esta publicação provocou grande celeuma, tendo sido a obra acusada de amoral e pornográfica. Com isto, foi proibida nos EUA, e apenas em 1934 sua publicação foi autorizada neste país2.
Revolucionária em sua forma, a obra Ulisses desconcertou leitores3, em razão de sua complexidade lingüística. Joyce, poliglota, profundo conhecedor de línguas mortas e de vários idiomas modernos, como também de história antiga, mitologias, folclore, etc., criou um monumento literário de difícil leitura, devido ao uso de monólogo interior4, como também em razão das muitas citações eruditas e de uma mistura labiríntica de imitações de estilos. Por exemplo, no episódio: O Gado do Sol, de acordo com Eleni Loukopoulou (LOUKOPOULOU, 2005), a técnica mostrada neste episódio em nove partes começa "por um prelúdio ao estilo Tácito-Salustiano … em seguida pelo estilo do aliterativo inglês arcaico e do monossilábico anglo-saxão …. pelo estilo de Mandeville … pelo estilo de Mallory em Morte d’Arthur … em seguida pelo estilo das crônicas elisabetanas … em seguida passagens solenes de Milton, Taylor, Hooker, seguidos por um pouco de agitado latim vulgar, ao estilo de Burton e Browne, seguido por uma passagem ao estilo de Bunyan ... depois um pouco do estilo de diário de Pepys-Evelyn ... atravessando Defoe-Swift e Steele-Addison-Sterne e Landor-Pater-Newman até finalizar com uma assustadora mixórdia de jargão inglês, inglês de negros escravos, o escocês, o irlandês, gíria de guetos e péssimos versos". A esta lista, outros especialistas acrescentam os seguintes autores, cujos estilos são imitados por Joyce: Oliver Goldsmith; Edmund Burke; Richard Sheridan; Edward Gibbon; Horace Walpole; Charles Lamb; Thomas de Quincey; Walter Savage; Thomas Macauley; Thomas Huxley; Charles Dickens; John Henry Cardinal; John Ruskin e Thomas Carlyle.
Ulisses é, igualmente, uma obra cuja extrema dificuldade de tradução foi vivenciada por aqueles que se aventuraram a tal empreendimento5. Sob certos aspectos, boa parte dela é intraduzível, em razão da grande quantidade de trocadilhos, jogos de palavras, coloquialismos, gírias e de palavras novas criadas por Joyce6.
 
3. TRADUÇÕES E TRADUTORES
Este ensaio não tem por objetivo analisar a complexidade da escrita ficcional de Joyce, nem adentrar a descrição de seus expressivos recursos narrativos. Pretende, isto sim, expor (até diríamos, desnudar) as traduções nacionais da obra em suas pretensões e presunções quanto à fidelidade ao original.
Existem, sabidamente, três traduções do Ulisses para o português (Brasil). A tradução mais antiga deve-se ao escritor, filólogo e tradutor Antônio Houaiss (realizada em cerca de um ano), cuja tradução mereceu publicação original pela Editora Civilização Brasileira, em 1966, em uma edição de 960 páginas7 (atualmente, em sua 14ª. edição, já agora com a Editora Record)8. Outra tradução, mais recente, teria custado sete anos de esforços à tradutora Bernardina da Silveira Pinheiro, 83 anos, professora aposentada de literatura da Universidade Federal do Rio de Janeiro9. Foi publicada pela Editora Objetiva (912 páginas), e encontra-se em sua segunda edição. Uma terceira tradução deve-se a um professor de lingüística da Universidade do Paraná, Caetano Galindo, e continua inédita. Uma tradução ao português de Portugal é creditada a João Palma Ferreira (1989)10.
 
 
 
4. A RESPEITO DE TRADUÇÕES
Toda tradução — e isto o sabem os bons tradutores — exige um compromisso entre a fidelidade ao original e a necessidade de adaptar este original à língua que vai recebê-lo. Não é possível verter contextos que se reconhecem no original, mas que o leitor final não sabe reconhecer ou identificar. Pode-se dizer que uma tradução, mais que uma simples substituição de palavras, torna-se uma "transcriação", ou seja, um misto de versão, recriação e de ousadias vocabulares capazes de transcrever as intenções do escritor. Em textos reconhecidamente difíceis como o Ulisses, há necessidade destas transposições e recriações e de ousadias que reflitam a erudição, a linguagem rebuscada, o coloquialismo, em suma, a suprema riqueza do original. E cabe ainda ao tradutor tentar desmentir o que dizem os italianos: tradutore tradittori (ou seja, ainda que não o queira, todo tradutor trai o texto original).
As traduções de Houaiss e de Bernardina, analisadas no seu todo, refletem abordagens divergentes e diferentes perspectivas. A segunda procurou tornar (em suas próprias palavras) mais coloquial e acessível o texto joyceano, utilizando um linguajar mais "nativo". Houaiss, por outro lado, buscou re-inventar o texto, mantendo entretanto (ou até aumentando) o hermetismo original.
Mas o que faremos aqui não é um simples cotejo de resultados gerais. Pretendemos, isto sim, mostrar que muitas palavras de tradução corriqueira e devidamente dicionarizadas sofreram em ambos os textos uma distorção ocasionada pela falta de perspicácia, por desconhecimento ou por puros equívocos com relação ao significado.
Naturalmente, os leitores que tiverem maior intimidade com a obra terão mais facilidade em reconhecer as passagens descritas. Por fim, é opinião deste ensaísta que a tradução que foi realizada por Houaiss, ainda que seja pedante, muitas vezes disparatada e até mesmo simplesmente errada, é, ainda assim, algo melhor do que esta versão mais recente (principalmente no famoso capítulo O gado do Sol). Além disso, é forçoso dizer, a tradução da prof. Bernardina padece dos mesmos defeitos que se encontram na tradução anterior.
 
 
5. CONFRONTOS
A tradução de Houaiss, por sua anterioridade, serviu de base para o confronto de traduções. Ou seja, a comparação é entre esta tradução e a da prof. Bernardina, e não o contrário. As passagens comparadas são apenas uma amostra, e não esgotam as passagens mal traduzidas. Mas um cotejo completo exigiria um novo livro, o que foge completamente às intenções deste texto.
Nos exemplos a seguir, estão mostrados (com indicação das páginas nos respectivos textos):
O - o original em inglês;
H - a tradução de Houaiss (de acordo com a 2ª edição revista, da Editora Civilização Brasileira, 1967);
B - a tradução da prof. Bernardina (de acordo com a 1ª edição da Editora Objetiva, 2005);
A - a sugestão de tradução deste autor, com comentários.
 
O - Stately, plump Buck Mulligan came from the stairhead.
H - Sobranceiro, fornido, Buck Mulligan vinha do alto da escada. (Pág. 3).
B - Magestoso, o gorducho Buck Mulligan apareceu no topo da escada. (Pág. 4, Ed. Objetiva).
A - Imponente, Buck Mulligan vinha diretamente do topo da escada.
O termo plump (gordo, roliço) também pode ser traduzido por diretamente (directly). Outro argumento contra Mulligan ser gordo: este personagem baseia-se em Oliver Gogarty (amigo de Joyce), do qual as fotos apresentam-no como uma pessoa esbelta.
O - His curling shaven lips laughed and the edges of his white glittering teeth.
H - Seus curvos lábios escanhoados riam e as pontas de seus brancos dentes resplandecentes. (Pág. 6).
B - Seus lábios crispados e barbeados riram assim como as pontas dos seus dentes brancos cintilantes. (Pág. 8).
A - Seus escanhoados lábios rosnantes riam e as pontas de seus brancos dentes resplandeciam.
Uma das acepções do termo curling é: to raise and turn under the upper lip as in snarling. Ou seja: elevar e distender o lábio superior, como quando ao rosnar.
O - Agenbite of inwit.
H - Remordida do imo-senso. (Pág. 17).
B - Remorso de consciência. (Pág. 18).
A – Sentimento de pungência.
Esta é, provavelmente, a expressão mais difícil de traduzir, de todo o texto. Houaiss também a traduz como: tortura do senso (razão-juízo) íntimo; remorso de consciência. Na tradução de Augusto de Campos: remorsura do ensimesmo. O termo agenbite sugere dor mordente, cortante. A expressão inwit não possui equivalente em português: wit significa razão, juízo, o que levaria à tradução de Houaiss. McLuhan (vide bibliografia) diz que a expressão agenbite of outwit significa: um amor narcisista a uma exteriorização de si mesmo (Narcissus fell in love with an outering of himself). Assim, de um certo modo, a expressão agenbite of inwit teria o seguinte significado: um olhar interior para uma dor em si mesmo percebida. Uma dor moral pungente e cortante.
O - Mercury's hat.
H - Pétaso de Mercúrio.
B - O chapéu de Mercúrio.
A - Ainda que um preciosismo, a tradução de Houaiss está mais de acordo com o contexto histórico, porque o termo pétaso (ainda que inusitado) designa um tipo de chapéu ou gorro de copa baixa e abas largas, que era usado pelos antigos gregos e romanos (e, naturalmente, pelo seu deus Mercúrio) .
O - His mother's prostrate body the fiery Columbanus in holy zeal bestrode.
H - O corpo prostrado de sua mãe dele o fogoso Columbano montara em tesão sagrada. (Pág. 32).
B - O corpo prostrado de sua mãe o ardente Columbano em seu zelo sagrado passou por cima. (Pág. 31).
A - O corpo prostrado de sua mãe o fogoso Columbano em sagrado zelo protegia.
São Columbano foi um monge missionário saído da Irlanda para evangelizar a Europa ocidental. Viveu de 543 a 615. A palavra bestride possui vários sentidos: montar; abarcar; proteger; ultrapassar a passo largo. Esta última acepção estaria de acordo com um conhecido episódio da vida deste santo: desejando ele ir para a Europa em missão evangelizadora, sua mãe se opôs, prostrando-se ante ele. Contrariado, Columbano passou-lhe por cima ao ir-se (tradução de Bernardina). Mas cabe também outra interpretação. Por ser ele um santo, a referência do texto talvez faça alusão à existência de um quadro (com sua imagem) acima da cama da mulher agonizante ("sua mãe", no caso, não seria a mãe de Columbano, e sim a mãe do personagem Stephen Dedalus). A versão de Houaiss é destituída de sentido.
O - On the spindle side.
H - Do lado da roca. (Pág. 35).
B - Do lado materno. (Pág. 36).
A - On the spindle side: esta é uma expressão idiomática que significa: pelo lado materno (a palavra inglesa spindle significa fuso ou roca). Assim, a expressão do lado da roca teria o significado de do lado da fiandeira, aquela que passava o tempo a fiar, a mãe.
O - Fiacre and Scotus on their creepystools in heaven spilt from their pintpots, loudlatinlaughing: Euge! Euge!
H - Fiacre e Scotus entornados nos céus de seus canecos quartilhos, garlatingalhando: Euge! Euge! (Pág. 46).
B - Fiacre e Scotus empoleirados no céu em seus tamboretes cospem sua cerveja ao rirem alto em latim: Euge! Euge! (Pág. 50).
A - Trecho extremamente capcioso, pois admite vários sentidos: Fiacre e Scotus em seus /suas [escabelos] / [almofadas baixas] / [fezes nojentas] derramados de seus canecos, altolatimrindo: Bem vindo! Bem vindo! (Ou também: Aplauso! Aplauso!).
O - ...dull brick muffler.
H - ...lenço tijolo brique baço. (Pág. 52).
B - ...cachecol cor de tijolo escuro. (Pág. 55).
A - ...cachecol cor-de-tijolo baço.
A tradução de Houaiss é um verdadeiro non-sense.
O - …wind of wild air of seeds of brightness.
H - ...vento do ar bravio de sêmen de revérbero. (Pág. 50).
B - ...vento do ar turbulento das sementes de claridade. (Pág. 52).
A - ...vento selvagem que trazia brilhantes gotas de chuva.
O sentido é o de que havia uma chuva fina, com pequenas gotas brilhantes A referência a sementes de luz é mitológica, e remete à chuva dourada com que Zeus engravida a jovem Danae, filha de Eurídice e do rei de Argos, Acrísio.
O - …torcs of tomahawks aglitter on their breasts.
H - ...enfiada dos cutelos das franciscas cintilando-lhes ao peito. (Pág. 51).
B - ...com colares de metal como os dos tomahawks cintilantes no peito. (Pág. 53).
A - ...colares com pontas de machados de guerra brilhantes em seus peitos.
O termo torc designa um tipo de colar celta, rígido e de forma circular, em cujas pontas abertas viradas para baixo se mostram pequenas figuras variadas. A versão de Houaiss é destituída de sentido.
O - Buss her, wap in rogues rum lingo, for, O, my dimber wapping dell!
H - Beijoca-a, fode com sabida lenga de esbórnia, oh minha bela putinha fodedora. (Pág. 53).
B - Beijem-na, façam amor com ela, digam-lhe coisas bonitas, pois, Ó, ela é minha bonita e encantadora garota! (Pág. 55).
A - Beije-a, fode-a, xingue-a nesta língua estranha de velhaco, oh minha bela putinha fodedora.
A tradução de Houaiss segue o original, que apresenta várias palavras de baixo calão: dell significa: prostituta ou meretriz de grandes seios; wap significa: copular; foder (vulgar); dimber significa: simpática, bela, encantadora.
O - ...evening lands.
H - ...terras vesperais. (Pág. 53).
B - ...terras da noite. (Pág. 56).
A - ...terras novas, da véspera.
Da Irlanda, para o Oeste, migra-se para a América, de colonização mais recente do que a Irlanda. No início do século XX, havia forte migração neste sentido. A tradução terras da noite dá uma conotação de terras mais antigas, e por esta razão, fica fora de contexto.
O - …fourworded wavespeech: seesoo, hrss, rsseeiss, ooos.
H - …quadrívoca undifala: siissuu, hriss, rsiess, uuss. (Pág. 55).
B - ...quatropalavras da onda: siisu, hrss, rsseeiss, uuus. (Pág. 58).
A - ...quadrisons falavibrantes (...).
Um exemplo de palavras-valise de Joyce, em que ele pretende transmitir os sons do remoinho das águas. Pode-se ter a tradução anterior (segundo o sentido desejado) ou então: quadripalavrada ondafala (literalmente). As onomatopéias que se seguem, naturalmente, deveriam seguir os sons aproximados em português, e não uma adaptação da pronúncia11.
O - A corpse rising saltwhite from the undertow.
H - Um cadáver salbranqueado emergindo da baixa-toa. (Pág. 56).
B - Um cadáver branco de sal se erguendo na ressaca. (Pág. 58).
A - Um cadáver salbranqueado emergindo de sob os cânhamos.
O - Sunk though he be beneath the watery floor.
H - Mesmo que imerso das águas sob os cendais. (Pág. 56).
B - Por mais afundado que ele esteja sob o solo da água. (Pág. 58).
A - Apesar de ainda afundado, abaixo da superfície da água.
O - ...the overtone following through the air, third.
H - ...o harmônico seguido pelo ar, terço. (Pág. 79).
B - ...o som concomitante prosseguindo através do espaço. Um terceiro. (Pág. 80).
A - ...o harmônico atravessando o ar, em terça.
O termo harmônico indica uma freqüência múltipla de uma freqüência fundamental; terça significa: intervalo musical, de uma nota para uma terceira acima.
O - A photo it isn't. A badge maybe.
H - Uma foto não é. Talvez uma senha. (Pág. 82).
B - Uma foto não é. Um emblema talvez. (Pág. 85).
A - Uma foto não é. Um distintivo talvez.
O personagem tenta identificar o que há dentro de um envelope, apalpando-o, e sente que há algo com ponta aguda. Assim, é "algo alfinetado", conforme dito antes no texto, o que indica um distintivo.
O - ...drooping nags.
H - ...matungos esfalfados. (Pág. 85)
B - ...pôneis curvados. (Pág. 88).
A - ...pangarés esfalfados.
No contexto, o personagem passa junto aos cavalos das carruagens populares usadas como táxi. O termo nags tem o sentido de cavalos velhos e inúteis; e drooping, de exaustos, cabisbaixos. O termo pônei designa cavalos de baixa estatura, que evidentemente jamais seriam usados com a finalidade de puxar carros.
O - I called you naughty boy because I do not like that other world. Please tell me what is the real meaning of that word?
H - Lhe chamei de garoto travesso porque não gosto desse outro nume. Por favor diga-me qual é o verdadeiro sentido desse nome. (Pág. 87).
B - Eu o chamei de menino levado porque não gosto daquele outro planeta. Por favor me diga qual é o sentido verdadeiro daquela palavra? (Pág. 89).
A - No contexto, trata-se de uma carta, na qual a missivista troca a palavra word (que significa termo ou palavra) por world (mundo). Houaiss traduz por nume e nome, respectivamente. A tradução da prof. Bernardina torna confuso o texto.
O - Has her roses probably.
H - Está de paquete provavelmente.
B - Tem suas rosas provavelmente.
A - A tradução de Houaiss segue o contexto. Indica que a jovem está menstruada. O nome paquete (navio de transporte a vapor) confundiu-se com o mênstruo, pela regularidade com que um paquete da marinha vinha até o porto do Rio de Janeiro (de 28 em 28 dias), no início do século XX. O original é uma alusão eufemística utilizada na época, por pudicícia.
O - Huggermugger in corners.
H - Pisque-dizque pelas esquinas. (Pág. 98).
B - Secretamente nos cantos. (Pág. 103).
A - No contexto, a expressão designa o fato de as pessoas, principalmente mulheres idosas, ficarem espreitando atrás das cortinas de suas casas o que acontece nas ruas. O termo huggermugger tem várias acepções, entre as quais, agir ou manter em segredo.
O - Slop about in slipperslappers for fear he'd wake.
H - Pisar perto em pontinhas de pé de medo que se desperte. (Pág. 98).
B - Patinham nos chineloshlepe com medo que ele acorde. (Pág. 103).
A - Se arrastando devagar em chinelos chiantes de medo que ele acordasse.
O termo slops designa: um andar lento, arrastado. O termo slipper significa chinelos. Quanto ao termo slapper designa: o som de um sopro.
O - …pointsman
H - ...postilhão (Pág. 103).
B - ... agulheiro (Pág. 107).
A - ...guarda-chaves.
Empregado da companhia de bondes que fazia a conexão de linhas, abrindo ou fechando as chaves de desvio e de ramais. A tradução postilhão, de Houaiss (incorreta), significa: mensageiro, ou empregado dos correios que levava correspondência a cavalo. Agulheiro (uma tradução correta) significa: empregado que fazia o serviço das agulhas. As agulhas eram os carris de ferro móveis que facilitavam a passagem de uma para a outra via férrea de bondes.
O - Too much John Barleycorn.
H - Excesso de João Bebessobe. (Pág. 107).
B - John Barleycorn demais. (Pág. 111).
A - John Barleycorn é o nome de uma obra literária publicada em 1913 (John Barleycorn: 'Alcoholic Memoirs’) pelo escritor Jack London (1876-1916). A referência é ao excesso de bebida, cujo paradigma é o personagem citado.
O - Wonder if that dodge works now getting dicky meat off the train at Clonsilla
H - Pergunto-me se aquela marmelada ainda vigora de conseguir carne xepa do trem em Clonsilla. (Pág. 111).
B - Me pergunto se esta artimanha de retirar carne de qualidade inferior no trem de Consilla funciona hoje em dia. (Pág. 113).
A - Pergunto-me se aquele golpe ainda funciona, o de vender carne duvidosa no trem em Clonsilla.
O termo get off tem, entre outras, as acepções: tirar; retirar; colocar ou vender mercadorias. Um golpe (dodge: logro; trapaça; ardil; golpe) perpetrado para retirar algo, esta coisa deveria ser de boa qualidade. Portanto, o golpe seria o contrário: vender algo duvidoso.
O - Murderer's ground.
H - Sede do assassino. (Pág. 113).
B - Terreno de assassino. (Pág 116).
A - Propriedade do assassino.
No contexto, o personagem, de passagem por uma rua, olha para uma casa, famosa pelo assassinato lá cometido.
O - Father Coffey. I knew his name was like a coffin.
H - Padre Paixão. Eu sabia que seu nome era como caixão. (Pág. 116).
B - Padre Coffey. Eu sabia que o nome dele era como um esquife.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

A ver estrelas parte 1

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domingo, 12 de julho de 2009

sábado, 11 de julho de 2009

Noscegos A ver estrelas parte 4

Noscegos A ver estrelas parte 4

Noscegos A ver estrelas parte 5


Noscegos A ver estrelas parte 5

terça-feira, 16 de junho de 2009

terças poéticas homenageia o irlandês james joce

EVENTO :PROJETO TERÇAS POÉTICAS
 
Poetas Luis Sergulha e Soujana Vargas em Homenagem a Casé Lontra Marques,Camila Vadarac,Mariana Lanell,Astrid Cabral
 
Data 9 de junho Horario:18h:30
 
Local :Jardins Internos
Entrada Franca
Info:33667400
horario de 14:ás 21h







EVENTO :PROJETO TERÇAS POÉTICAS
 
Poetas Luis Sergulha e Soujana Vargas em Homenagem a Casé Lontra Marques,Camila Vadarac,Mariana Lanell,Astrid Cabral
 
Data 9 de junho Horario:18h:30
 
Local :Jardins Internos
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Info:33667400
horario de 14:ás 21h

quinta-feira, 11 de junho de 2009

EVENTO :PROJETO TERÇAS POÉTICAS PARTE 1



EVENTO :PROJETO TERÇAS POÉTICAS

Poetas Luis Sergulha e Soujana Vargas em Homenagem a Casé Lontra Marques,Camila Vadarac,Mariana Lanell,Astrid Cabral

Data 9 de junho Horario:18h:30

Local :Jardins Internos
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Info:33667400
horario de 14:ás 21h


Por wilmar Silva Curador : do Projeto Terças Poeticas
Filmado: Por HEITOR SILVA DE OLIVEIRA .

EVENTO :PROJETO TERÇAS POÉTICAS PARTE 2




EVENTO :PROJETO TERÇAS POÉTICAS

Poetas Luis Sergulha e Soujana Vargas em Homenagem a Casé Lontra Marques,Camila Vadarac,Mariana Lanell,Astrid Cabral

Data 9 de junho Horario:18h:30

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Info:33667400
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Por wilmar Silva Curador : do Projeto Terças Poeticas
Filmado: Por HEITOR SILVA DE OLIVEIRA .

EVENTO : PROJETO TERÇAS POÉTICAS PARTE 3




EVENTO :PROJETO TERÇAS POÉTICAS

Poetas Luis Sergulha e Soujana Vargas em Homenagem a Casé Lontra Marques,Camila Vadarac,Mariana Lanell,Astrid Cabral

Data 9 de junho Horario:18h:30

Local :Jardins Internos
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Por wilmar Silva Curador : do Projeto Terças Poeticas
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EVENTO :PROJETO TERÇAS POÉTICAS PARTE 4



EVENTO :PROJETO TERÇAS POÉTICAS

Poetas Luis Sergulha e Soujana Vargas em Homenagem a Casé Lontra Marques,Camila Vadarac,Mariana Lanell,Astrid Cabral

Data 9 de junho Horario:18h:30

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Por wilmar Silva Curador : do Projeto Terças Poeticas
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EVENTO : PROJETO TERÇAS POÉTICAS PARTE 5



EVENTO :PROJETO TERÇAS POÉTICAS

Poetas Luis Sergulha e Soujana Vargas em Homenagem a Casé Lontra Marques,Camila Vadarac,Mariana Lanell,Astrid Cabral

Data 9 de junho Horario:18h:30

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EVENTO : PROJETO TERÇAS POÉTICAS PARTE 6



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Poetas Luis Sergulha e Soujana Vargas em Homenagem a Casé Lontra Marques,Camila Vadarac,Mariana Lanell,Astrid Cabral

Data 9 de junho Horario:18h:30

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EVENTO : PROJETO TERÇAS POÉTICAS PARTE 7

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Poetas Luis Sergulha e Soujana Vargas em Homenagem a Casé Lontra Marques,Camila Vadarac,Mariana Lanell,Astrid Cabral
 
Data 9 de junho Horario:18h:30
 
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Info:33667400
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EVENTO :PROJETO TERÇAS POÉTICAS PARTE 8

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Data 9 de junho Horario:18h:30

Por wilmar Silva Curador : do Projeto Terças Poeticas
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Local :Jardins Internos
Entrada Franca
Info:33667400
horario de 14:ás 21h

FILMADO POR: HEITOR SILVA DE OLIVEIRA.

Terças poeticas parte 9

EVENTO :PROJETO TERÇAS POÉTICAS
 
Poetas Luis Sergulha e Soujana Vargas em Homenagem a Casé Lontra Marques,Camila Vadarac,Mariana Lanell,Astrid Cabral
 
Data 9 de junho Horario:18h:30
 
Local :Jardins Internos
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Info:33667400
horario de 14:ás 21h

Por wilmar Silva Curador : do Projeto Terças Poeticas
Filmado: Por HEITOR SILVA DE OLIVEIRA .

Terças poeticas parte 9



EVENTO :PROJETO TERÇAS POÉTICAS
 
Poetas Luis Sergulha e Soujana Vargas em Homenagem a Casé Lontra Marques,Camila Vadarac,Mariana Lanell,Astrid Cabral
 
Data 9 de junho Horario:18h:30
 
Local :Jardins Internos
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Info:33667400
horario de 14:ás 21h

Por wilmar Silva Curador : do Projeto Terças Poeticas
Filmado: Por HEITOR SILVA DE OLIVEIRA .

Terças poeticas parte 9



EVENTO :PROJETO TERÇAS POÉTICAS
 
Poetas Luis Sergulha e Soujana Vargas em Homenagem a Casé Lontra Marques,Camila Vadarac,Mariana Lanell,Astrid Cabral
 
Data 9 de junho Horario:18h:30
 
Local :Jardins Internos
Entrada Franca
Info:33667400
horario de 14:ás 21h

Por: wilmar Silva Curador : do Projeto Terças Poeticas
Filmado: Por HEITOR SILVA DE OLIVEIRA .

TERÇAS POÉTICAS PARTE 10

EVENTO :PROJETO TERÇAS POÉTICAS
 
Poetas Luis Sergulha e Soujana Vargas em Homenagem a Casé Lontra Marques,Camila Vadarac,Mariana Lanell,Astrid Cabral
 
Data 9 de junho Horario:18h:30
 
Local :Jardins Internos
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Info:33667400
horario de 14:ás 21h

Por : wilmar Silva Curador : do Projeto Terças Poeticas
Filmado: Por HEITOR SILVA DE OLIVEIRA .